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Um dia a maioria de nós irá se separar
 
 
 
Um dia a maioria de nós irá se separar.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos
que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo....
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
- "Quem são aquelas pessoas?"
Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto...reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo.....
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! 

                                                  
                                                      Vinicius de Moraes

 

 

 
 
 MARCUS VINICIUS DA CRUZ DE MELLO MORAES
 
(1913-1980)
 
 
 
 
NOTA  DA PRODUÇÃO
 
 
Esse texto circula na Internet, com ligeiras modificações na redação, com autoria atribuída ora a Vinícius de Moraes ora a Fernando Pessoa.
 
Deste último não pode ser, porque a redação é claramente de português-brasileiro. Há outros fatos que desmentem essa alegação: na época de Fernando Pessoa (1888-1935) o uso do telefone não era corriqueiro, como aí se insinua. Outro fato é que o poeta português não foi homem de muitos amores nem de amigos, para citá-los assim tão enfaticamente.
 
Outra versão desse mesmo texto, citado como autoria de Vinícius, alude à troca de e-mails (foi cortado no texto acima), o que só aconteceu na Internet alguns anos após a sua morte, em 1980. Até então o uso desse meio de comunicação era restrito à atividade acadêmica, a governos, a atividades militares, já que a Internet foi criada para a guerra. Com essa rede promissora, os dados valiosos do governo estariam espalhados em vários lugares, ao invés de centralizados em apenas um servidor. Isso evitaria a perda desses dados no caso de, por exemplo, uma bomba explodisse no campus. Em seguida, essa rede foi usada inicialmente pelas universidades, onde os estudantes, poderiam trocar de forma ágil para a época, os resultados de seus estudos e pesquisas. Só bem depois de 1980 é que explodiu o uso da Internet como o conhecemos hoje. Vinicius já tinha ido alegrar outros lugares e é muito capaz do texto acima nada ter dele, como já se tem visto com outros autores na rede.  
 
 
 
 
Créditos:
Fundo Musical:
An Affair to Remember
Harry Warren - Leo McCarey
 
 
Texto Vinicius: colaboração : Do Karmmo Ferreira
 
Pesquisa e Produção:
Mario Capelluto e Ida Aranha